domingo, 22 de abril de 2018

Curar doentes é mau para o negócio, diz a Goldman Sachs




No relatório "A revolução do genoma", os analistas da Goldman Sachs perguntam se "curar doentes é um modelo de negócio sustentável" e indicam às empresas de biotecnologia que as soluções podem afetar o "fluxo permanente de receitas".

A Goldman Sachs, um dos maiores grupos de investimento do mundo, levantou um debate, já por muitos conhecido, dirigido à indústria farmacêutica sobre a rentabilidade económica de curar doenças, com a apresentação do seu relatório "A revolução do genoma", a 10 de abril.

Mais concretamente, a Goldman Sachs refere-se ao setor da biotecnologia, especialmente às empresas envolvidas no tratamento pioneiro da terapia genética, como se conhece o processo de substituir genes defeituosos por genes saudáveis, adicionar genes novos para ajudar o corpo a combater ou tratar doenças, ou desativar genes problemáticos.
 
No relatório, citado depois pela CNBC, a Golman Sachs começa por perguntar se “curar doentes é um modelo de negócio sustentável“, para responder taxativamente: “Não”, afirma a RT.

No documento, a analista Salveen Richter disse que “o potencial de oferecer curas com uma só dose é um dos aspetos mais atrativos da terapia genética“. Por outro lado, acrescenta, “estes tratamentos oferecem uma perspetiva muito diferente em comparação com as terapias crónicas”.

Assim, de acordo com Richter, “apesar de esta proposta ter um enorme valor para os pacientes e para a sociedade”, isso poderia representar “um desafio para os cientistas que trabalham com medicina genómica e procuram um fluxo de negócio sustentável“.

Qual é a solução?

No relatório, é dado como exemplo os tratamentos da farmacêutica Gilead Sciences para a hepatite C, que alcançaram uma cura de mais de 90% dos afetados, nos EUA.

Graças à eficácia da medicina desta empresa, em 2015, as vendas do tratamento alcançaram os 12.500 milhões de dólares – mais de 10 mil milhões de euros. Mas as previsões para este ano ficam-se pelos 4 mil milhões de dólares – mais de 3 mil milhões de euros.

O êxito do medicamento esgotou gradualmente o grupo disponível de pacientes“, escreveu a analista, explicando que, como consequência, “também diminui o número de portadores capazes de transmitir o vírus a novos pacientes, pelo que o grupo de incidentes também diminuiu”.

Neste sentido, Richter assinala que “onde um grupo de incidentes permanece estável (por exemplo, no cancro), o potencial para uma cura traz menos riscos à sustentabilidade do negócio”.

Na análise, a Goldman Sachs apresenta três soluções possíveis para que a terapia genética seja um negócio. O primeiro passa por dirigir-se a mercados grandes, como a hemofilia, que cresce aproximadamente entre 6% a 7% por ano.

O segundo é abordar os transtornos com alta incidência, como a atrofia muscular espinal, que afeta as células da medula espinal, o que influencia a capacidade de caminhar, comer ou respirar.

Por último, a Goldman Sachs sugere uma aposta na inovação constante e expansão do portefólio, tendo em conta que há centenas de doenças de retina hereditárias, como as formas genéticas de cegueira.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Tal Espanha, tal Portugal


Los hospitales privados siguen creciendo a costa de los presupuestos públicos
La penetración del sector privado, parasitando los presupuestos públicos, es cada vez mayor. El 43 % de los hospitales privados (193) tienen conciertos con la sanidad estatal .

Según el informe “Sanidad Privada, Aportando valor. Análisis de situación 2017”, elaborado por la Fundación IDIS (fundación de la patronal de hospitales privados), la sanidad privada sigue su tendencia creciente (a cargo del presupuesto estatal, mientras se reduce el gasto en los hospitales de gestión directa).
Según dicho informe, en 2016, los centros privados se repartieron 1.578 millones de euros públicos por conciertos en 2016, gracias al artículo 90 de la Ley General de Sanidad (artículo que permite derivar los pacientes y procesos rentables del sector púbico al privado, mientras éste se infrautiliza, y que ningún partido polítco pide derogar), lo que supuso el 25,6% de su facturación durante el citado ejercicio, que alcanzó los 6.175 millones de euros. Es decir, uno de cada cuatro euros ingresados por estos hospitales en 2016 provino de presupuestos públicos.
El IDIS no recoge los ingresos del otro gran grupo de hospitales privados: los que son propiedad de la iglesia Católica, que tienen una facturación anual cercana a los 4.000 millones de €, y gestionan mÁs del 27 % de las camas privadas existentes a nivel estatal (San Juan de Dios, Hermanas Hospitalarias, Hospitales Católicos de Madrid, etc).
La penetración del sector privado, parasitando los presupuestos públicos, es cada vez mayor. El 43 % de los hospitales privados (193) tienen conciertos con la sanidad estatal.
Por comunidades, Cataluña, cuyo modelo de privatización es el más antiguo y el más variado en cuanto a fórmulas jurídicas, hasta el punto de que el 69 % de los hospitales son privados, es la que más dinero dedica al sector privado: el 25,1% en 2015.
Madrid le sigue en segundo lugar con un 12,4 % en 2015. Continúan Baleares y Canarias (10%), La Rioja (8,4%), Navarra (7,7%), País Vasco (6,8%), Murcia (6,4%), Asturias (6%), Galicia y Castilla-La Mancha (5,5%), Aragón (5,4%), la Comunitat Valenciana y Extremadura (4,5%), Andalucía (4,3%), Castilla y León (4%) y Cantabria (3,7%).

Enquanto em Portugal "não se passa nada", na Grécia é assim:


O escândalo Novartis que está a abalar a Grécia
«O "escândalo Novartis", os supostos subornos da multinacional farmacêutica suíça que envolvem importantes responsáveis políticos, está a abalar a Grécia e as conclusões do inquérito parlamentar podem influenciar de forma decisiva o resultado das próximas eleições.
O inquérito Novartis foi iniciado em dezembro de 2016 com base em informações do FBI e da justiça norte-americana, que recolheram testemunhos sobre práticas ilegais da filial grega da multinacional suíça.
A Novartis é suspeita de ter subornado alguns milhares de médicos mas também ex-primeiros-ministros, ministros da Saúde e outros responsáveis para obter uma posição dominante no mercado grego e vender os seus medicamentos a preço inflacionado. Os cofres do Estado terão sido lesados entre 1.000 milhões e 3.000 milhões de euros.
Entre os políticos suspeitos de envolvimento surgem nomes de topo da Nova Democracia (ND), o partido conservador agora na oposição: Adonis Georgiadis, atual vice-presidente; Antonis Samaras, antigo primeiro-ministro; Dimitris Avramopoulos, atual Comissário europeu para a Migração, Assuntos internos e cidadania, ex-ministro da Saúde, da Defesa e dos Negócios Estrangeiros entre 2009 e 2014 e ministro da Saúde entre 2006 e 2009; Panagiotis Pikrammenos, ex-primeiro ministro interino entre maio e junho de 2012.
No entanto, também surgem nomes ligados ao Pasok, os sociais-democratas gregos que com a ND dominaram a vida política do país entre 1974 e 2015: Evangelos Venizelos, ex-vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, e Andreas Loverdos, o antigo ministro da Educação.
Outro alegado alto responsável também envolvido é Yannis Stournaras (independente), ex-ministro das Finanças entre 2012 e 2014 no auge da "crise da dívida" e atual governador do Banco da Grécia. Todos os implicados rejeitaram as acusações.
"Pela primeira vez, existem políticos deste nível alegadamente envolvidos num jogo particularmente sujo, e que terão recebido 'luvas' da multinacional suíça no decurso da severa crise que atingiu o país", refere um jornalista em Atenas que segue a investigação.
"Mas existe outro aspeto, talvez mais sério. A Grécia é um país de referência em relação ao preço dos medicamentos para toda esta área da Europa do Sudeste e da Turquia. O que significa que se um medicamento da Novartis aumenta aqui, então é legal também aumentar o preço em todos os outros países da região".
O escândalo pode assim assumir proporções que extravasam as fronteiras gregas. "Foi por isso que a Novartis despendeu largas somas de dinheiro para corromper políticos e garantir os preços inflacionados", acrescenta.
Em 22 de fevereiro, o parlamento grego formou uma comissão parlamentar com representantes de todos os partidos para investigar estas alegações, e que poderá implicar um envolvimento da justiça.
O Governo de Alexis Tsipras, com a vantagem de ainda não estar envolvido em qualquer escândalo de corrupção, tem sido particularmente incisivo na revelação deste caso, que poderá constituir um "ponto de viragem" face às próximas eleições legislativa, previstas para 2019.
"Quando o escândalo começou a ser divulgado, a diferença entre a ND e o Syriza era mais de 10%, mas agora o Syriza começou a recuperar", indica.
Admite-se que o escândalo, com grande impacto mediático interno, atinja outros laboratórios farmacêuticos. Os preços dos medicamentos são fixados por uma comissão do ministério da Saúde onde têm assento representantes das grandes empresas farmacêuticas, que podem facilmente exercer pressão. Agora, pede-se um maior controlo para terminar com estes abusos.
Prevê-se que o escândalo Novartis continue a agitar a vida política grega. Entre o final de março e início de abril a comissão parlamentar deverá emitir as suas conclusões e decidir se os dez políticos acusados devem comparecer e ser julgados perante um tribunal especial.»
por Pedro Caldeira Rodrigues, enviado da Agência Lusa

domingo, 4 de março de 2018

Idosos de Estarreja com demência apresentam elevados valores de metais pesados no organismo

"Limpeza da poluição" no rio Tejo após descargas das celuloses - Na imprensa


Equipa de investigadores da Universidade de Aveiro conclui que quanto maior for a presença de elementos potencialmente tóxicos no organismo pior será o desempenho cognitivo.

Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) realizado com um grupo de idosos de Estarreja revelou que os participantes com demência eram os que tinham no organismo valores tóxicos mais elevados, nomeadamente de alumínio e cádmio.

Coordenada pelas investigadoras Marina Cabral Pinto e Paula Marinho Reis, da unidade de investigação Geobiociências, Geoengenharias e Geotecnologias (GeoBioTec) da Universidade de Aveiro, a investigação pretendeu esclarecer o nível de impacto que a exposição ambiental a elementos potencialmente tóxicos tem no desempenho cognitivo.

Para tal, foi escolhido um grupo de mais de 100 adultos e idosos, com idade superior a 55 anos, e residentes permanentes em Estarreja, uma cidade inserida numa área industrializada e onde se situa um dos principais complexos da indústria química do país. Alumínio, cádmio, cobre, chumbo, zinco e mercúrio foram alguns dos elementos químicos analisados na urina, sangue e cabelo dos participantes no estudo e aos quais foram realizados vários testes cognitivos.

A equipa de investigadores conclui que quanto maior for a presença de elementos potencialmente tóxicos no organismo pior será o desempenho cognitivo. Embora salvaguarde que a relação apresentada no estudo resulta apenas dos modelos estatísticos obtidos, sendo necessário garantir "que não se trata de um resultado fortuito", através de investigação adicional.

"Verificou-se que os participantes com pior desempenho cognitivo, equivalente a um estado de demência, apresentavam valores mais elevados de alguns elementos potencialmente tóxicos", aponta Marina Cabral Pinto, em comunicado. O projecto exploratório foi financiado pelo DRIIHM-Labex, através pelo programa Investissements d'Avenir.

A demência é uma doença sem cura e as causas do declínio cognitivo não são totalmente conhecidas. "Apenas uma reduzida percentagem dos casos clínicos tem etiologia genética, enquanto a larga maioria tem uma origem esporádica", lembra a coordenadora da investigação. Para além da idade, diversos outros factores, incluindo a exposição ambiental a elementos potencialmente tóxicos, "têm sido sugeridos como estando associados ao aumento de risco de desenvolvimento de demência e da doença de Alzheimer durante o envelhecimento".

O grupo estabeleceu, recentemente, uma parceria com a Universidade de Cabo Verde para um novo projecto de investigação dentro desta área. "A realização do projecto vai ser muito importante pois temos ilhas com maior potencial de exposição, como a ilha de Santiago, mas temos outras em que não há fontes de poluição conhecidas, como a ilha do Maio, por exemplo", antecipa Marina Cabral Pinto. Será "muito interessante, verificar se há ou não diferenças no desempenho cognitivo dos idosos em ambientes tão diferentes", acrescenta.

Universidade de Aveiro, Lusa e Público

Base americana contamina a população dos Açores


A população dos Açores está registrando um dramático aumento nos casos de câncer entre os residentes nas proximidades da Base Aérea das Lajes. Além dos elevados níveis de radiação, agora também está se revelando um altíssimo nível de contaminação do solo, que afeta, além da saúde, os agricultores locais.

Quando o pesquisador e ex-funcionário da base, Orlando Lima, vai se aproximando das imediações da Base Aérea das Lajes, os índices de radiação sobem cada vez mais.

"Estamos em 22 mil [partículas alfa]. Vamos fugir daqui, pois já estivemos por tempo demais", diz o especialista português, entrevistado pela agência Ruptly, que produziu uma reportagem sobre o drama dos moradores da ilha.

A Base Aérea das Lajes localiza-se na vila das Lajes, no concelho da Praia da Vitória, na parte nordeste da ilha Terceira, nos Açores. A base é utilizada pela Força Aérea dos Estados Unidos desde 1945, que permanece nas instalações até hoje, no âmbito da cooperação da OTAN entre Lisboa e Washington.

"Isso é resultado de contaminação nuclear", afirmou Lima.

A sua posição é endossada por Félix Rodrigues, professor de física da Universidade de Açores.
"É um inferno que se repete em várias ilhas ocupadas pelos norte-americanos. É um tipo de política de terra queimada. Os problemas vão se acumulando e os governos locais não fazem frente, a população não tem capacidade de fazer frente. Talvez seja o resultado de muita iliteracia científica, de desconhecimento de muitas relações causa-efeito", disse o especialista.

Segundo ele, foram verificados diversos locais com um nível de contaminação muito elevado de metais pesados, como chumbo, cobre, zinco e molibdênio. Esses metais, em alta concentração, acabam entrando na cadeia alimentar e provocam esterilidade, diversos tipos de câncer e outros problemas de saúde, alertou o físico.

Um dos argumentos apontados pelos residentes de que a base aérea seria a causa dos problemas de saúde das famílias locais é apresentado por Norberto Messias, cientista da Escola Superior de Saúde e da Universidade de Açores, entrevistado pela agência. Segundo ele, as estatísticas oficias apontam que 33% dos casos de câncer do olho nos Açores, por exemplo, são registrados em moradores do concelho da Praia da Vitória, que concentra somente 8% da população do arquipélago.

De fato, os habitantes relatam casos de famílias inteiras, que moraram nas proximidades da base, com incidência de diferentes tipos de câncer.

Esse é o caso de Madail Ávila, de 34 anos, que morou durante anos praticamente ao lado da entrada da base norte-americana.

"Os meus dois pais faleceram de cancro [câncer] … A minha mãe com cancro de mama e o meu pai com outro tipo de cancro. Eu, aos 33 anos, também fui diagnosticada com câncer de mama", explicou a moça que destacou ser muito raro que uma família toda da mesma área geográfica tenha problemas de saúde desta natureza.

Marcos Fagundes, outro morador da Praia da Vitória, não tem dúvidas de que a causa do problema seja a base dos EUA. "Existem ruas inteiras, nas quais as pessoas de um lado da rua foram diagnosticadas com câncer e do outro lado não. Isso não é normal", alega ele.

Além dos abundantes casos de câncer, os agricultores locais também apresentam queixas. Segundo estes, regiões inteiras em torno da base simplesmente pararam de produzir, se tornaram completamente inférteis.

Uma das explicações disso, segundo continuou o físico Félix Rodrigues, seria o despejo de combustíveis pelos militares.

"Em 10 anos, 88 mil litros de combustível foram derramados, e isso são dados oficialmente assinalados. E ainda tem aqueles [litros] que não foram assinalados", explica o especialista. Ele alega que o principal problema para combater esse fator reside na falta de legislação no país para tratar da contaminação do solo. Segundo o entrevistado, o nível de contaminação ao redor da base seria 50 vezes maior, do que o permitido em países como Canadá.

Notícia completa aqui

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Portugal entre os cinco países europeus que pior tratam os idosos

 
Um estudo da Organização Mundial de Saúde que envolveu 53 países coloca Portugal no grupo dos cinco piores no tratamento aos mais velhos, com 39% dos idosos vítimas de violência.

Os dados foram hoje citados, no Porto, numa conferência sobre "Reaprender a Idade: Contributos interdisciplinares", pela médica e vice-presidente da Comissão de Proteção ao Idoso, Antonieta Dias, que afirmou que "Portugal é o país da Europa que menos investe nas pessoas da terceira idade".

"Estamos no topo da Europa como o país que menos investimento tem para os idosos. É um estudo que está publicado e ao qual não podemos ficar alheios, para desempenharmos a nossa função de defesa de direitos humanos, de defesa dos direitos dos idosos e de defesa da cidadania", disse Antonieta Dias.

(...)

No seu Relatório de Prevenção contra os Maus Tratos a Idosos, a OMS analisa as agressões nos últimos cinco anos contra os mais velhos, num universo de 53 países europeus, e conclui que "Portugal tem um sério problema no que respeita aos maus tratos contra idosos."

Da lista negra fazem parte apenas mais quatro países: Sérvia, Áustria, Israel e República da Macedónia.

O presidente da Comissão de Proteção ao Idoso, Carlos Branco, citou dados da Associação de Apoio à Vítima relativos a 2016.

"Em Portugal é já possível aferir um aumento do número das vítimas idosas, apresentando agora 1.009 pessoas idosas vítimas de crime (em média três por dia e 19 por semana). Das 1.009 vítimas registadas em 2016, contra 774 em 2013, 679 tinham idades entre os 65 e os 79 anos (67,4%) e 330 tinham entre 80 e mais de 90 anos (32,6%)", disse.

Em declarações à Lusa, Carlos Branco considerou que face ao envelhecimento da população, "os apoios existentes não são suficientes" e que, por esse motivo, "a sociedade civil tem de organizar no sentido de tentar mitigar estas situações".

Texto completo aqui

Resultado (um deles) das PPP`s na Saúde: Vila Franca de Xira. Antigo hospital foi abandonado com quase tudo lá dentro



Fecharam as portas e deixaram aparelhos, monitores, máquinas, macas, muitas camas e cadeiras. Está tudo ali, sem uso, há quatro anos e meio.

27 de agosto passado, Pedro (nome fictício) chegou ao antigo hospital de Vila Franca de Xira. Com a máquina fotográfica na mão, aproximou-se do edifício principal e começou a olhar para as janelas. Um amigo daquela zona tinha-o alertado para o facto de o Hospital Reynaldo dos Santos estar aberto, sem alarmes ou seguranças a vigiar a zona. Também já havia janelas partidas, disse-lhe.

Pedro tinha de ver com os seus próprios olhos ou não fosse ele um "caçador" assumido de fotografias em locais abandonados. Naquele domingo, logo pela manhã, reuniu um grupo de amigos e entrou no edifício.

Confirmou-se tudo o que lhe tinha sido dito. "A única coisa que eles fizeram foi emparedar as portas, mas esqueceram-se das janelas. Entrei por uma delas", conta à MAGG. "É escandaloso. Quando entrei e vi aquilo fiquei chocado."

Ao nível do chão, Pedro descobriu três ou quatro janelas destruídas. Escolheu uma e, sem grande esforço, entrou no Hospital Reynaldo dos Santos. Em menos de um minuto estava dentro do edifício principal. Seria de esperar que as salas estivessem vazias. Certo?

Errado. Duas máquinas de raio-x, várias camas de bebé, cadeiras das salas de espera por todo o lado e um bloco operatório intacto. "Camas de hospitais então, nem as contei. Era um disparate, deviam estar ali entre 100 a 200. Se tivesse de dar uma percentagem, diria que levaram 30 a 40% do hospital. 60 a 70% ficou ali."

Foi a 28 de março de 2013 que se fizeram as devidas despedidas do velhinho Hospital Reynaldo dos Santos para dar as boas-vindas ao novo Hospital de Vila Franca de Xira. Três vezes maior do que o anterior, abriu com 280 camas de internamento, nove salas do bloco de operatório, 33 gabinetes para consultas externas, três novas especialidades (hemodiálise, infeciologia e psiquiatria) e um investimento total de 108 milhões de euros. (...)

Reportagem completa em MAGG